Pensando o anonimato e a internet. Escrito em 18/11/2006, publicado em www4pixel4.com.br
Logotipo final da temporada da NUCOOLEXPERIENCE no Orkut. NUCOOL: ativista de butique, porque no final tudo vira estampa de camiseta
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O exercício da crítica é sempre uma tentativa de afirmar direitos contra todo tipo de dominação e ampliar o leque de possibilidades de entendimento.
A reflexão, o julgamento crítico é um instrumento revolucionário e não de covardia, mesmo que não se traduza necessariamante em algum produto material.
A tecnologia hoje em dia permite vivenciarmos outras identidades, atributo antes dado somente aos artístas, doentes mentais, místicos ou experiências com drogas.
Nada como o descanso temporário dos papéis sociais para deixar vir a tona aspectos da subjetividade da alma. Esse é um dos grandes presentes do nosso tempo.
Dentro das novas poéticas surgidas com a virada do século, a fábula de Amelie Poulain (filme de Jean Pierre Jeunet) revela com maestria a beleza de se viver o anonimato.
Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da língua portuguesa tb foi conhecido por ser o autor que mais se desdobrou em outras personalidades. Será que ainda vamos ter que explicar os heterônimos de Pessoa ou somente nos inspirarmos em Ricardo Reis, Alvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares.
Os deuses indianos escolhem formas de animais para descerem a terra, por que eu não escolheria um corpo fictício para visitar outra dimensão?
É bobagem focar na questão do anonimato e não encarar o computador mais como um instrumento lúdico e comunicacional.
Afinal existe anonimato na rede? e o IP? Estamos realmente livres de mecanismos de controle e monitoramento? Somos reféns da tecnologia e estamos todos sitiados e para além das portas da cibercidade, seja através dos rastreamentos de etiquetas RFID ou pela vigilância exercida por tecnologias de balcão.
No processo de hominização, inventamos a escrita e como consequência fomos lentamente perdendo a memória, já que não exercitamos mais a tradição oral. Somado a tudo isso, as novas tecnologias colocaram a disposição fora do nosso cérebro toda memória do mundo. Então, que outras habilidades estaremos aprimorando, esvaziando está área do cérebro?
O anonimato, a ausência do corpo físico, o não culto a imagem não fortaleceria outras atividades, talvez mais inventivas?
O historiador André Leroi-Gourhan descreve assim o processo: quando o homem se pôs de pé para se deslocar, liberou seus membros anteriores da função de transporte que até então desempenhavam. A mão pôde então desenvolver a capacidade de preensão e o ser humano tornou-se um homo faber. O ganho com o uso da mão foi muito mais significativo do que andar de 4.
Que acontece quando submetemos o corpo físico a imersões virtuais? O sujeito em sua dimensão cognitiva se modifica.
Ricardo Barreto, um dos grandes divulgadores da cibercultura no Brasil, fala do anarqui-culturalismo, quando a autoridade cultural não pode mais exercer nenhum poder sobre as manifestações culturais; quando os produtos não são mais comercializados; quando o valor do produto cultural não repousa sobre a sacralização ou sobre a propriedade, quando o produtor cultural liberta-se de seu ego. A cultura da imanência que está nascendo liberta-se do culto a personalidade, para se tornar um processo mais amplo e de co-autoria com seus agentes.
Em tempos de Youtube, Myspace, Blip.tv ainda faz sentido pensar em anonimato ou não anonimato, dentro da tradicional lógica do século passado?
Pensar em arte e uso crítico da tecnologia é tentar subvereter suas regras de uso.
Podemos falar de uma transformação coletiva dos saberes. Acho importante saber reconhecer outras organizações, pessoas ou microculturas produtoras legítimas de conhecimento fora das formas oficiais de representação.
Sou tocado por tudo aquilo que se aproxima de mim e mesmo virtualmente questiono que lugar o outro ocupa em minha vida. Frases e pensamentos deixados por pessoas desconhecidas em meu profile, me levam a pensar.
Como diz Levy, aprender é entrar no universo do outro e é tb intervir.
Talvez a ausência do corpo físico e seus códigos de comportamento dificulte o mapeamento e atribuição de valores de julgamento a determinadas pessoas, consequentemente, recebo a informação de forma mais limpa.
Uma tendência mundial é a concentração dos meios de comunicação nas mãos de uns poucos grupos o que significaria uma conformidade no pensamento e cultura.
Dentro da lógica neoliberal o maior jogo dos conglomerados midiáticos é despertar e manter o desejo constante de consumo. Representando um triunfo do mercado sobre as demais atividades.
Está claro que as mídias tem o poder de definir os novos cânones estéticos e de comportamento e privilegiar interesses particulares visando a maximização do lucro.
Compartimentar pessoas, definir siglas como GLS, é fazer o jogo das grandes corporações. É organizar um mercado de consumo e traçar estratégias para difusão de produtos e incentivar o consumo. É viver sob as regras do marketing e da publicidade.
Muita gente ainda não se deu conta do que está acontecendo no mundo e pensar que o povo sempre faz o que o os FORTES pensam é ingenuidade.
Basta olhar o PODER ANÔNIMO dos grupos terroristas internacionais, os últimos eventos na França ou mesmo aqui no Brasil. Os DESAFETOS DAS MINORIAS estão pipocando no mundo e vale tudo para deixar claro seu protesto.
Resumindo, na sociedade do espetáculo, estar longe das câmeras, cultivar o aparente anônimato, pode ser uma dádiva e assim poder fornicar tranquilamente nas praias da Espanha ou Guarujá. (referência aos “escândalo” envolvendo a apresentadora da MTV nas praias espanholas)
Mas para muitos a vida só existe quando validade pelas grandes instituições.
NuCool, o que realmente me interessa quando vou em um blog é a inteligência em pauta. O embate entre você e o V.Ângelo significou o exercício de viver essa “Ágora” moderna chamada Internet. O que vale nisso tudo é a reflexão, a posição e as verdades de quem quer que seja, compra quem quer. Gosto do seu blog e da “infernalização” do Vitor também. Vocês fazem a diferença. O mundo já não se conforma mais é com cabeças que dizem amém.
Abs.
(talvez poste esta mesma mensagem no blog do Vitor)
Nu ,
Você e o Vitor não estam fazendo a linha Marlene e Emilinha Borba , né ??? Ou será que a Era dourada do rádio esta novamente na moda ???
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