O culto ao urbano parece estar perdendo seguidores com a chegada ao poder de uma nova geração muito influênciada pelas questões ecológicas. Isso sem falar que em breve um evento de proporções mundiais, a Copa do Mundo de 2010, acontecerá pela primeira vez no continente africano, cujo poder não está na área urbana e sim, na força da natureza. Milhares de turistas além de assistirem aos jogos, serão afetados por essa realidade.
Sigur Rós – Glósóli
Aos poucos vou juntando as peças com a ajuda dos meus amigos virtuais e poderia afirmar que existe uma tendência bastante forte apontando outra direção planetária, bem distante das Semanas de Moda, do chamado mercado de consumo de luxo e de Sex and The City, o filme.
O culto ao urbano parece estar perdendo seguidores, a chegada ao poder de uma nova geração muito influênciada pelas questões ecológicas, já sinaliza uma vertente focada num retorno a natureza, na invenção de um neo-primitivo e no resgate do corpo original, sem os exageros, artificialidades e hipertrofia, que se tornaram marcas registradas principalmente da comunidade gay. Esportes radicais ocupam cada vez mais espaço e sair das zonas de conforto, praticando escaladas, arvorismo, trekking, adquirem cada vez mais adeptos.
Quando eu era adolescente, vivenciei um certo hippismo tardio, tendo viajado de carona por alguns lugares, morado de forma comunitária, abraçado árvores e feito agricultura orgânica. Mas tudo isso era gueto, hoje é urgência e sobrevivência.
Considero os músicos, os mais sensíveis para captar e propagar novas tendências comportamentais, principalmente com as facilidades tecnológicas que dispomos para produzir e difundir um vídeo. Coletando no profile do meu amigo virtual, Rodrigo Senra, o Digão, que manja tudo de novas bandas, selecionei e publiquei aqui uma série de movies cuja ambientação está muito mais ligada a natureza e a sua força divina, do que ao universo em desencanto das metrópoles.
Para quem já passou dos 30, apesar das músicas serem ótimas, as imagens podem parecer um pouco piegas, mas não deixam de ser um exercício em busca de uma inocência perdida.
Outro bom exemplo, é o sucesso do livro e do filme Na Natureza Selvagem (Into The Wild, direção: Sean Pean), baseado na história real de um brilhante estudante, que abre mão de tudo, deixa para trás também a sua própria identidade, rebatizando-se Alexander Supertramp; coloca uma mochila nas costas e parte para o Alasca afim de viver uma aventura.
O Vitor Angelo, recentemente tocou no tema ao escrever sobre a campanha publicitária do Tom Ford, que em sua esperteza de marketing, utiliza modelos nus, para falar de moda. Se o urbano está perdendo o encanto e deixa de ser necessariamente “moderno”, a tecnologia adquire mais força, o que favorece muito esse deslocamento das grandes cidades, já que podemos trabalhar de qualquer parte do planeta de forma remota. Eu mesmo andei fazendo umas conexões com Barcelona e Lisboa e construimos um belo produto sem nos encontrarmos fisicamente.
Os movies mais significativos talvez sejam os da banda islandesa, Sigur Rós, em especial o belíssimo link na linha acima, que por conter cenas de nudez, não pode estar no YouTube.
Assista também:
dk7-Instone
Esse, eu já publiquei aqui no blog, mas vale rever:
a nudez de tom ford não é a nudez da moda, mas do marketing de moda, a nudez da moda está no hussein chalayan e seu desfile das roupas que se movimentam como escrevi lá no blog em um post chamado algo como “A roupa do futuro foi feita há 9 meses atrás”
Neo-primitivo…parece ser uma boa palavra, mas não vejo muitas saídas por essa vertente, não me parece ser bem por ai que devemos seguir. Precisamos de um outro “neo”, mas qual? Não sei ainda … acho que vou ouvir mais um pouco do novo single do Sigur Rós e pensar sobre.
A propósito: como baixar o novo disco sem desembolsar uns tostões??
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