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O TEATRO MÁGICO, A CHAVE E O SEGREDO

Maio 18, 2008 · 5 Comentários

A festa da Chave, promovida pelo Estúdio Xingu e outras variações intimistas de “clubes”, numa versão mais caseira e personalizada, começam a surgir em SP. Com cara de sociedade secreta, essa nova-velha fórmula de entretenimento, aberta a poucos e com divulgação via internet ou boca a boca, tiram partido da idéia de ser raro, especial e fazer parte dos escolhidos, imaginário sempre presente em nossas mentes e é o próprio conceito por trás das marcas ligadas ao universo do luxo.

Semana passada num ônibus, ouvindo a conversa existencial de 2 alunos do segundo grau, percebi que um deles estava lendo O Lobo da Estepe, do Hermann Hesse e rapidamente fui transferido à minha adolescência.

Ele fazia parte de uma série de livros, que deveriam ser lidos quando se era alternativo. Com clara influência da psicanálise e busca de autoconhecimento, esse tipo de literatura, continuou sua linhagem de forma mais comercial e vulgarizada, na obra de Paulo Coelho e nos livros de auto-ajuda, que agora, vendem fórmulas de sucesso e riqueza, como O Segredo.

Hermann Hesse foi um escritor alemão, nascido em 1877, um eterno revoltado contra a sociedade burguesa, que aliás foi a maior admiradora e consumidora de seus livros, o que sempre lhe causou muito desconforto.

Uma passagem interessante do Lobo da Estepe é quando uma misteriosa porta aparece num muro anunciando “O Teatro Mágico – Entrada só para raros”. Ele tenta entrar mas não consegue, a placa desaparece, ele imagina que alí poderá encontrar tudo que o completa.

Quando somos mais jovens, sonhamos e partimos em busca desse nosso grupo com muito mais intensidade e desses encontros, muitas vezes, acabam surgindo coisas bastante criativas, que influenciam toda uma década.

O sucesso da música eletrônica, lá nos anos 90, criou uma legião de insatisfeitos com a produção mais comercial e o lifestyle que passou a imperar nos clubes noturnos. Buscando uma alternativa, começaram a realizar umas festas clandestinas, cercadas de mistérios em relação ao seu acesso e que serviu de laboratório para algo que num momento seguinte, explodiu no mundo inteiro, as famosas raves, posteriormente pasteurizadas. Naquele momento havia algo de especial acontecendo, outra maneira de construir a música, novas tecnologias, nova droga, ecstasy, uma outra maneira de se relacionar com o mundo; o que tornava esse tipo de evento mais atraente e proibido.

Sexta passada fui conduzido pelas mãos do “chapeleiro maluco” a uma dessas festas com cara de confraria, na casa da artista performática, Leila D. Segundo o “chapeleiro”, musa do curta metragem underground. Apesar de não ter percebido nada de novo, enquanto comportamento, passei momentos agradáveis e a anfitriã é uma simpatia.

Um clube de suruba, hoje com residencia fixa na cidade, iniciou suas atividades, de forma nômade. O RG 31, convidava os participantes via e-mail e com endereços itinerantes. Dizem que o mistério e o segredo envolvido em tais encontros, atraia pessoas muito mais interessantes que hoje em dia.

Dois talentosos rapazes, que já foram donos do clube noturno Xingu e sabem construir universos mágicos como ninguém, promoveram recentemente uma festa, só para raros, a famosa CHAVE, que já teve outra edição nos anos 90.

Não estive na última versão, mas acabei vendo as fotos e ouvindo comentários de quem foi. A mudança da década alterou o comportamento, a festa pareceu mais carão, apesar das loucurinhas. Como ser poser hoje em dia, é tendência, A Turma do Dudu e os novos darlings da mídia, capricharam para aparecer nas fotos que se espalham pela rede.

Será que isso é o início uma série de pequenas festas em lugares off e funcionarão como fermento para algo diferente ou é mais um desdobramento da economia informal?
Bem, espero que não seja o que uma amiga virtual escreveu, “é somente um encontro de chics e famosos do segundo escalão” então, se for só isso, só nos resta aguardar e esperar para ver, quem irá assumir o papel de Amauri Jr. da geração emergente do underground paulistano.

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