Por que um país no norte da África, há gerações, desperta tanta atração? Por que a Fundação Pierre Berge – Ives Saint Laurent, Paris, organiza atualmente uma exposição chamada A maroccan Passion? Por que o Marrocos nunca sai de moda? O museu de Arte Brasileira da FAAP, em SP, realiza uma exposição sobre esse país, estive por lá e não podia deixar passar essa oportunidade, para nos próximos dias contar o que vi e mais uma vez falar sobre o Marrocos.
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Tânger, a cidade dos prazeres ( Parte I, escrito em 2005)
Tenho profunda atração por cidades portuárias, adoro ver o movimento dos barcos, dos marinheiros, das pessoas em trânsito. Gosto de caminhar pelo cais no final da tarde e ficar imaginando suas histórias, me perguntando, se estariam chegando ou partindo, se vieram para ficar ou estão somente de passagem.
Tremi a primeira vez que cruzei o estreito de Gibraltar e avistei a branca cidade de Tânger, coroada por antenas parabólicas. Meus olhos ficaram úmidos quando o desenho do minarete vigiando a urbe se tornou grande diante do meu rosto e ouvi o chamado do muezim conclamando os fiéis para as orações.
Cheguei ali alimentado pela literatura e atrás de um lugar que não existe mais. Buscava a Tânger permissiva, aristocrática e canalha, onde tudo era possível, perigoso e profundamente feliz. A cidade sonhada pelo escritor Paul Bowles, o refúgio dos beats, dos artistas, dos contrabandistas, dos vagabundos, das celebridades do jetset, o Marrocos de Matisse, Delacroix, Jack Kerouack, William Burroughs, Gregory Corso, Allen Ginsberg, Gore Vidal, Tennesse Williams, Truman Capote, Jean Genet, Cecil Beaton, Ahmed Yacoubi, Mohamed Marbret, Ian Fleming, Barbara Hutton, Yves Saint Laurent,…
Muitos jovens parecem também ainda procurar por esses fantasmas. Criaturas estranhas ainda perambulam pelos hotéis e cafés. Viajantes que talvez busquem alguma resposta no passado, fomentados pelos sonhos dos primeiros exploradores.
A Tânger de hoje, está cheia de viajantes, não só dos que querem se aventurar pela África, mas principalmente dos que almejam partir para uma Europa idealizada, cheia de oportunidades de trabalho e qualidade de vida. A cidade se tornou o ponto final ou inicial de uma jornada de milhares de imigrantes não apenas marroquinos, mas de uma África subsahariana, que sonha com a travessia para o Primeiro Mundo.
Situada na junção entre o Atlântico e o Mediterrâneo, onde nos dias claros é possível avistar a Espanha no horizonte. Tornou-se um mito após a Segunda Guerra Mundial, muitos artistas e intelectuais a escolheram para passar algumas temporadas, talvez pelo clima, pelo poder de câmbio que o dinheiro possuia, pela proximidade física da Europa, mas principalmente, por se situar mentalmente muito distante… afinal trata-se de um país islâmico.
Paul Bowles perguntava aos seus compatriotas norte americanos o que esperavam encontrar por lá e todos respondiam: sensação de mistério. Se é isso que vc busca, encontrará por toda parte. No carater secreto da arquitetura, no olhar penetrante dos rapazes, nas especiarias, no chá de menta, no cheiro do haxixe… Para Bowles, sexo e drogas sempre foi uma combinação perigosa e que tirou muita gente de órbita na época. Ele também tinha um ponto de vista bastante interessante sobre os efeitos psicológicos do álcool e do haxixe.
Enquanto o primeiro suprime as inibições e dá uma sensação de participação, o segundo, submerge o índivíduo em um estado de contemplação. Dizia ainda que cada sociedade tem sua forma de relaxamento, enquanto o judaísmo e o cristianismo tem utilizado o álcool, o islamismo faz uso do haxixe. Se um país deseja ocidentalizar-se, o primeiro a fazer é introduzir as bebidas álcoolicas, vide a Turquia.
CONTINUA…
PARA SABER MAIS:
- Suzy Menkes, do Herald Tribune, conversa com Pierre Berge sobre essa paixão marroquina e a exposição de caftans. Copie o link abaixo e cole na barra do seu navegador.
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