O ano de 2007 terminou com uma bomba, a morte de Deus. Seria o fim das máquinas de criar divindades?
Recebi um e-mail de uma crente me convidando para deixar Jesus entrar em minha vida e reclamando que não gostava desse meu desrespeito para com a família.
Acho que a família é algo bom, mas já escreveram bastante sobre esse tema e procuro outras possibilidades de se estar no mundo além dessa família secular, quero abrir espaço para novas formas de viver, porque também preciso me arejar, e para isso, as vezes temos que nos desvencilhar da tradição quando ela impõem perspectivas reducionistas, verdades eternas e imutáveis. As instituições muitas vezes contribuem para um empobrecimento do tecido relacional.
Uma série de livros de autores respeitados, lançados no final do ano passado no Brasil, matérias publicadas nas revistas Veja, Vida Simples, Caderno Mais da Folha de SP e outras publicações que agora não me recordo, levaram ao grande público o questionamento da existência de Deus.
A desconstrução de Deus, significa pensar a vida não de maneira estática, mas romper com uma estrutura de valores supremos, que se por um lado, foram úteis até agora e desenvolveram uma série de virtudes e rancores no crente, por outro, nos mantém presos a conceitos e formas de existência que talvez não façam mais sentido e dificultem o nascimento do novo.
Desde a 3ª Temporada da NUCOOLEXPERIENCE eu já me sentia entregue a minha própria sorte, com a morte dos Deuses a vida passou para as minhas mãos desprovida de grandeza, destino e ideais sublimes. A vida se tornou leviana e experimental. Mas que opção me restava, se os dogmas não me traziam a felicidade prometida?
Tenho desde então, a dura tarefa de ser responsável pela minha existência e o sentimento de culpa pelo fracasso está sempre a espreita.
Eu, cuja formação se iniciou em colégio de padres e tendo inclusive passado pelo ritual da primeira comunhão, filho de uma mãe que incorporava alguns espíritos e de quem ouvi um dia, que em vidas passadas, eu havia sido um arqueólogo que vivera na região do mar Mediterrâneo e tivera um romance com um operário grego. Sim, ela foi modesta em sua visão, não disse que eu havia sido rei ou um grande general, rs!!
Mãe esta, que me protegia de uma série de espíritos maléficos que vinham ao meu encontro, mas que um dia abandonou tudo e se converteu ao catolicismo.
Será que para as mulheres mais velhas e menos ousadas, depois de terem seus filhos criados, a única perspectiva para aliviar a monotonia do casamento é a Igreja ou o Bingo?
Criado nesse ambiente místico que teve total influência em minha vida tanto é que me envolvi com uma série de grupos orientais, em busca de uma instância superior e transcendente, mas que escondiam meu forte desejo pelo carnal e imperfeito.
Lembrei-me de Nietzsche, que já havia questionado o universo das essências de Platão e a concepção de Deus como verdade suprema do cristianismo, todos negavam a vida em função de um mundo melhor, verdadeiro e idealizado, mas que pouco a pouco estamos descobrindo não existir.
Sabemos que todas as revoluções tentaram essa mudança dentro e fora da religião, apesar de falharem, nos levaram para outro momento histórico planetário, talvez então, seja a hora de questionar Deus, antes que a Revolução Genética, possa realmente forjar esse homem cheio de perfeição!
Eu nunca acreditei que o Brasil era o país abençoado por Deus e que eramos o melhor povo do mundo, isso sempre me pareceu coisa do regime militar.
Os anos passaram e o grau de violência e sadismo do povo abençoado por Deus veio a tona, isso numa população onde 97% são tementes ao Senhor, 93% acreditam que Jesus Cristo resssuscitou depois de crucificado e 86% concordam que Maria deu a luz ainda virgem! (Fonte: Veja, dezembro, 2007).
Na França a população que acredita em Deus não chega a 30% e na Europa em geral, menos da metade acredita em Deus. Apesar de Deus ter se espalhado pelo mundo ocidental através das antigas potências européias, teria ELE se tornado um produto para subdesenvolvidos?
Deus não é mais forte o suficiente para despertar o amor e respeito ao próximo, será que alguma vez foi? Como explicar as Cruzadas e a recente luta de fé estabelecida entre o governo Bush e o Corão?
E agora, onde vamos depositar o dízimo? Na ciência?!

Acho que o conceito de Deus é muito próximo ao de limite. Assim: aquilo que não cabe na esfera humana, de tão complicado para ser administrado, zás! – é imediatamente remetido a uma outra esfera, esta necessariamente mais abrangente. No caso de Deus, a esfera divina. É como um filme com cena de perseguição em que alguém entra num beco sem saída. Olha para trás, vê os perseguidores se aproximando, diz ou pensa ou Deus-me-ajude e zás! Voa. Ou aparece a polícia. Ou a parede fica de repente transponível. Mezzo limite, mezzo milagre. Muito confortável para desaparecer, acho… talvez mude de feição – mas acho pouco provável que o ser humano consiga o tempo todo beber a vida como quem toma uísque caubói: a seco!
affffffff, um Jesus assim até eu quero! quem é o gato?
As máquinas de criar divindades, são as mídias ou as religiões? Vamos repensar. Abração
beeeeeeeeeeee
a gente já paga o dízimo pra ciência
e
Deus vive como Elis, Elvis e os punks
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