A pergunta que fica é se é possível combinar luxúria, amor, espontaneidade e estabilidade numa mesma relação por muito tempo?
Tem um filme circulando por ai, que tá fazendo sucesso com a divulgação boca a boca e tem chamado a atenção da comunidade gay. Meu amigo virtual Ivo, me deu a dica e eu fui ver DEITA COMIGO (Lie with me). Realização: Clément Virgo. Elenco: Lauren Lee Smith, Eric Balfour, Richard Chevolleau, Don Francks, Polly Shannon, Michael Facciolo, Kristin Lehman, Nicola Lipman, Kate Lynch. Nacionalidade: Canadá, 2005.
A história gira entorno de uma pessoa que não perdeu a noção do mundo a sua volta, tem um trabalho convencional, mas adora viver segundo seus instintos, fumando um e querendo trepar o tempo todo. Seria super normal se fosse um homem, ou um filme gay, mas não, trata-se de uma mulher.
Claro que esse filme é uma obra de ficção e não representa a realidade da maioria das mulheres, afinal elas estão longe dessa conquista, visto que a liberdade sexual das mulheres tem somente uns 30 anos, surgiu com a pílula anticoncepcional e a revolução sexual dos anos 60. E ainda teve uma AIDS no meio disso tudo. Visite: KULTUR CIRKUITO 2 – Os tribalistas, você está preparado para sexo grupal?
Leila é uma gata predadora de homens e adora sexo com desconhecidos. O filme em vários momentos tem como locação parquinhos infantis, nos remetendo aquela boa relação de sexo com jogo e brinquedo de criatividade.
A diversão vai bem até que Leila encontra o bonitão e comprometido David, que num primeiro momento se recusa a um pega-pega rápido num espaço público, pois ele, como bom predador que também é, sabe reconhecer uma jogadora a altura. Com David a coisa é diferente, especial, pois existe maior afinidade, mas eles não sabem como se relacionar com toda aquela intensidade e aquele tipo de intimidade, sem cair no lugar comum. Fora isto, o bonitão tem uma namorada, onde as regras do relacionamento são mais claras.
Rodando em paralelo a história principal, rolam mais duas secundárias. Uma, da amiga que optou pelo casamento com alguém que lhe dá segurança, apesar de sentir menos desejo sexual. E a outra, é a falência do casamento de muitos anos dos pais de Leila, que estão se separando.
A pergunta que fica é se é possível combinar luxúria, amor, espontaneidade e estabilidade numa mesma relação por muito tempo?
Gustave Flaubert já tinha levantado a bola no seu romance Madame Bovary, lá em mil oitocentos e cinquenta e pouco…
Madame Bovary busca viver a paixão dos livros de literatura sentimental, casa-se e descobre que almeja a algo mais que um marido, o desejo e sua insatisfação constante a levam ao adultério.
No caso das relações heterossexuais, principalmente as que visam a construção da família, as regras estão claramente definidas e é muito mais difícil romper e encontrar outras saídas (mas não podemos esquecer da turma do swing e menage). Em outros grupos, onde as regras não são tão rígidas, existe mais espaço para experimentar. Mas, se o objetivo for algo parecido com a relação de nossos pais, já temos uma boa referência e todos nós sabemos onde vai chegar e o que talvez consertar durante o percurso.
Além da experiência própria, ampliar a possibilidade de leitura do mundo, recorrendo a literatura ou estudiosos é sempre uma boa idéia.
Foucault diz uma coisa interessante, que é permitir criar todos os tipos de relações possíveis e que elas possam coexistir e não serem impedidas ou anuladas por instituições empobrecedoras, isto é, reconhecer como relações honrosas todas aquelas fora dos laços de parentesco e casamento. (gostaria de incluir inclusive as relações virtuais).
A variedade de experimentações que os homossexuais fazem ao longo de suas vidas, pulando de aventura em aventura, não podemos achar que elas são pobres, ainda que provisórias. São diferenciadas, buscam prazeres singulares e também tornam viáveis novas formas de amizade. A sociedade faz os homossexuais acreditarem que para serem dignos precisam se enquadrar na fórmula da família tradicional.
Confesso que em vários momentos do filme, me lembrei da letra e me senti vendo o clip da Madonna, Justify my Love, tanto pela estética como pela semelhança do ator principal Eric Balfour com o ex-namorado da cantora. Outra curiosidade, por se tratar de um homem, é como a imagem da bunda de Eric é explorada no filme. Detalhe, é uma película “de arte”, mas explícita.

5 respostas Até agora ↓
M.V.S. // Outubro 9, 2007 às 12:41 pm |
Assiste ao filme, seu texto é melhor, só perde para a bunda do ator principal. rs!
Wagner S. // Outubro 11, 2007 às 7:38 pm |
Vi esse filme é realmente uma bobagem, parece um clip agradável.
W.S.
Borboleta Carla // Abril 24, 2008 às 8:12 pm |
O fime e tudo de bom,as veses e bom ver um filme assim,mas concordo com vcs,perde para o bumbum dele,sem contar que ele e lindo.rs
patricia // Julho 28, 2008 às 4:40 am |
achei o filme ótimo, como muita sensualidade e concerteza é algo que todos gostaríamos de sentir e fazer!! 10 mesmo esse filme, maior tesão e muiittooo sensual!!!
Cláudia // Dezembro 11, 2008 às 6:05 pm |
Filme intenso!
Excelente qualidade!
Prende a atenção, não só pela carga de sensualidade (e sexualidade), mas pelo comportamento e intensidade de sentimento dos personagens…
Leila e seus pais… David e seu pai… Os pais de Leila entre si… Leila e David…
O ponto altto para mim e quando Leila descobre que só David a completa totalmente e vice versa… Quando reencontram na rua, depois na festa de casamento e por fim na casa de Leila…