… ou os filhos mais queridos do Capitalismo de Ficção
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O capitalismo de ficção descobriu que, apesar de gastarem muito com a boate, a academia, a underwear e o dealer, tem sobrado dinheiro nas mãos da frágil comunidade gay brasileira. Não é atoa que a Editora Abril está de olho nesse mercado, assim como a Editora Peixes e a revista JUNIOR, recém lançada no mercado para os moradores de Ipanema, Moema e Jardins.
Quando eu disse a minha mãe que fazia sexo com outros homens, ela me disse que eu poderia fazer o que quisesse da minha vida, mas que ela não gostaria de ver esse meu estilo de vida de perto.
Parece que a sociedade não mudou muito, mesmo entre os heteros mais amistosos a sensação de desconforto é visível, quando duas pessoas do mesmo sexo, deixam o discurso intelectual e partem para o contato físico, sejam simples beijos e abraços.
A Rede Globo, criou gays idiotamente perfeitos na novela de horário nobre, Paraíso Tropical. Lindos, másculos, amigos, bem sucedidos, mas sem a manifestação dos desejos da carne. A revista JUNIOR, também purificou os gays, atendendo as necessidades do mercado, e lançou o Gay sem Pinto.
O capitalismo de ficção disse, tá bom, vocês podem ser gays, querem sair da marginalidade? Mas eu dito as regras de como vocês devem se comportar. Quero vendê-los ao mercado. Quero o dinheiro de vocês.
Quero só os de tórax perfeito e sedutores. Ok, podem ser artistas e excêntricos. Mas sem pinto! Essa é a fórmula da revista JUNIOR, que apostou nos descamisados!
A revista é graficamente bonita e não podemos deixar passar a presença de Stéphane Malysse e David Le Breton nesta edição. Claro que já antes citados no PÓS-GAY da NUCOOLEXPERIENCE.
Meus agentes infiltrados nessas editoras, me contaram que a conversa da cúpula é não apresentar o “gay genital”, porque os homens heteros que administram o dinheiro (leia-se publicidade), não gostam de pinto, além do próprio. Para nós leitores, o discurso vem maquiado num tal de “não explícito”, mas erótico! Não que eu precise de uma revista para ver homens nus, o papel nunca foi meu fetiche. Tão pouco preciso de uma revista gay! Como disse Dani Umpi, na própria edição, acredito na mescla de mundos e não gosto de guetos. O planeta mudou e ter como referência as revistas Têtu, Out ou a Zero isso ficou nos anos 90, afinal elas representam realidades de outros países, surgidas em outro momento! O mundo está em mutação, a problemática é humana, quero mais é saber como administrar a vida nesses novos tempos!
A fórmula editorial original da respeitada revista dos “machos”, a Playboy, era tentar conciliar bons textos com peladonas mostrando a buceta, sem medo. Isso é atitude, poder e política!
Por que o sexo e o corpo feminino é elevado a condição de artístico e esse corpo masculino, abaixo da cintura, os próprios gays acreditam ser vulgar? Será que esses oportunistas, disfarçados de militantes querem fazer algo realmente político e informar, ou somente lançarem livrinhos de culinária e revistinhas sem conteúdo para encherem o bolso de dinheiro rosa?
Se vc é um júnior, recém-chegado ao mundo cor-de-rosa, não muito adequado aos padrões estéticos propostos por André Fischer, corra para o supino e ao cirurgião plástico, pelo que a revista mostra não existe espaço para você.
DESDOBRAMENTOS DO TEMA AQUI NO BLOG:

Li a Júnior, pareceu uma espécie de revista Contigo (encarnação anterior), só que para meninos. Vende sonhos, como tantas outras publicações que se sustentam na proposta de um ideal que parece tangível, mas é praticamente difícil de atingir. Um estilo de vida para ser sempre ambicionado, nunca atingido. Cor-de-rosa, mas não pink: um cor-de-rosa aguado, desmaiado.
CARA VC É AMARGO!
Olá Nucool,
Ouvi uns comentários de umas pessoas falando que você reclamou porque a revista não é explicita e na realidade este texto é muito mais profundo do que isso. O nível cultural dessa galera é muito baixo.
W.S.
Agora tem a Dom pras bixas ricas e maduras!
Mostra tudo e escreva direito! É esse o lema? Por que não criamos a Playgay?
Gay inteligente não precisa mais de revista gay depois da internet. Com a complexidade do mundo atual, ficar no gueto é morrer na praia. Bem, o grupo da revista OUT, que envolve vários segmentos do universo cor de rosa, está falindo!
Ivi, esse texto se desdobrou em mais 2 aqui no blog:
SONATA PARA UM HOMEM BOM
e DE OUTRO MODO
lá deixei minhas opiniões finais sobre o tema!
;0)
[...] contemporizando as críticas tanto de Mário em seu blog como de Nucool, achei que a revista poderia abarcar uma diversidade. O fato de me chamarem para estar com eles [...]
na parte que vc escreve que tem agentes infiltrados na Júnior, a André e a Marcelo KGB com certeza devem ter pensado que o agente era eu, mas no fundo não passei de um agente laranja… Corja!
gostei…teve atitude em dizer isso! abs
RAFA! não necessitei de muita atitude não! é o óbvio! Abraço, obrigado pela visita!
bom são os comentários desdenhosos. o mundo gay nem ficou “pronto” e há muito anda precisando de uma reforma em amplos sentidos. falta tanto… e o assunto abordado no texto é a ponta de um dos icebergs. são tantos…
PlayGay? Gente, e a G Magazine? Onde fica? rsrs
Bem, leia: SONATA PARA UM HOMEM BOM: http://nucool.wordpress.com/2007/12/19/sonata-para-um-homem-bom/
negritobel